<%@ Language=JavaScript %> Cerimônia do dia das mães
Cerimônia do dia das mães
 
 

I

Mãe! eu te volto a ver na antiga sala

Onde uma noite te deixei sem fala

Dizendo adeus como quem vai morrer.

E tu me viste sumir pela neblina

Pois a sina das mães é esta sina;

Amar, criar, cuidar, depois perder.

II

Perder o filho é como achar a morte,

perder o filho quando é grande e forte ...

Já podia ampará-la e compensá-la ...

E nesse instante uma mulher bonita,

Sorrindo o rouba e a velha mãe aflita

Ainda se volta para abençoá-la.

III

Assim parti, e nos abençoaste,

Fui esquecer o bem que me ensinaste,

Fui para o mundo me deseducar

E tu ficaste num silêncio frio

Olhando o leito que eu deixei vazio,

Cantando uma cantiga de ninar.

IV

Hoje, volto coberto de poeira

E te encontro quietinha na cadeira,

A cabeça pendida sobre o peito.

Quero beijar-te a fronte e não me atrevo.

Quero abraçar-te, mas não sei se devo,

Não sinto que me cabe esse direito.

V

O direito de dar-te esse desgosto,

De mostrar, nas rugas de meu rosto

Toda a miséria que me aconteceu.

E quando vires a expressão horrível

De minha máscara irreconhecível

Minha voz rouca a murmurar "sou eu"

VI

Eu bebi nas tabernas dos cretinos,

Eu brandi o punhal dos assassinos,

Eu andei pelos braços dos canalhas,

Eu fui jogral em todas as comédias,

Eu fui vilão em todas as tragédias,

Eu fui covarde em todas as batalhas,

VII

Eu te esqueci. As mães são esquecidas,

Vivi a vida, vivi muitas vidas

E só agora quando chego ao fim

Traído pela última esperança

lembro que nunca se esqueceu de mim.

VIII

Não! Devo voltar, ser esquecido,

Mas que foi? De repente ouço um ruído,

A cadeira rangeu, é tarde agora,

Minha mãe levanta abrindo os braços,

Rendendo graças diz: "Meu filho" e chora.

IX

E como chora, fala, treme, ri,

parece até que Deus entrou aqui

em vez dos último dos condenados,

E seu pranto ralando em minha face,

Quase é como que o céu me perdoasse

Me limpasse de todos os pecados.

X

Mãe nos teus braços eu me transfiguro,

Lembro que fui criança, que fui puro,

Sim, tenho mãe e essa ventura é tanta

Que eu compreendo o que significa.

O filho é pobre, a mãe é rica,

O filho é homem, mas a mãe é santa!

XI

Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,

Mas que beija como agradecendo.

Todo mal que por mim te foi causado.

Dos mundo onde andei, nada te trouxe,

Mas tu me olhas com esse olhar tão doce

Que nada tenho, não te falta nada.

XII

Dia das mães dia da bondade,

Maior que todo o mal da humanidade

purifica num amor profundo

Por mais que o homem seja um ser mesquinho

Enquanto a mãe cantar junto a um bercinho

Catará a esperança para o mundo!